Ela foi uma criança "esmirradinha", sabe? Dessas que corria pelo meio das suas pernas e quando você piscava já tinha desaparecido. Ela era agitada até demais, falava com todo mundo. Gostava de brincar de tudo que você imaginasse e sempre comandava as brincadeiras. "Eu vou ser chefe quando eu crescer", dizia.
Na adolescência todos a ouviam, ela sempre sabia o que dizer para confortar a todos e dizia que ia mudar o mundo. Era aquele tipo de pessoa que todo mundo procurava para pedir ajuda e que resolvia o problema de todos.
O tempo passou, a menina se tornou mulher, mas o olhar de criança continuava ali. Ela continuava lutando para ser alguém melhor todos os dias e construir um futuro digno para todos aqueles que ela amava e também para os que não conhecia. Ela sonhava mesmo em mudar o mundo. Tentou vários caminhos até descobrir o melhor.
Errou muito até descobrir o que não fazer. Sofreu muito também, porque ninguém acreditava nela. Até que um dia, ela estava perdida sem saber o que fazer e a tristeza, a desmotivação de tantos problemas que foram despejados nela acometeram-na e ela parou. Precisava respirar. Precisava chorar um pouco e colocar toda a dor para fora. Foi uma parada mais longa do que ela imaginava. E ela não conseguia descobrir a origem da dor.
Até que um dia, veio uma luz: aquela dor significava que ela não estava conseguindo fazer aquilo a que tinha se proposto: ela queria ser chefe. Ela adormeceu e a criança dentro dela gritava com ela no sonho. Uma menina pequenina, esmirradinha, apontava o dedo na cara da mulher que havia se tornado: bem alta e encorpada, com cabelo comprido. "VOCÊ TEM QUE COLOCAR A SUA CABEÇA PARA FUNCIONAR. VOCÊ SABE MUITO BEM O QUE EU QUERIA SER E FAZER! O QUE ESTÁ ESPERANDO PARA COMEÇAR?"
Eu estava lá no dia que ela acordou no meio da noite dizendo que tinha tido uma ideia. Ela sentou em frente ao computador e escreveu sem parar. Escreveu, escreveu, escreveu. E não parava de escrever. Eu perguntei o que era, mas ela não dizia. Só disse assim: "quando eu terminar tudo vai mudar! Você vai ver!"
Ela teve só uma ideia. Desenvolveu essa ideia durante 6 meses. Ela só parava para trabalhar e cuidar da saúde. De resto, eu passava lá para ver se ela queria ajuda, mas ela não queria. Dizia que ela precisava escrever. Quando ela terminou, mostrou-se um projeto que parecia um trabalho acadêmico que ela intitulou de PROJETO DO FUTURO.
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